O Caminho Para Se Tornar Doula: A Narrativa Da Jornada Pessoal Da Doula Josiane

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A confiança entre doula e gestante floresce, construindo um vínculo duradouro.

Há algum tempo, tivemos o privilégio de convidar a maravilhosa Josiane para compartilhar suas vivências como Doula. Queríamos mergulhar fundo em suas experiências, tanto nas alegrias quanto os desafios e dificuldades, sem filtros ou romantizações, para pintar um retrato autêntico do que realmente significa ser doula na prática.

Com essa missão em mente, enviamos algumas perguntas, esperando respostas simples em texto. No entanto, esquecemos que estávamos lidando com a Josiane, uma alma generosa que sempre entrega muito mais do que se espera dela. E o que recebemos? Não respostas em texto, mas uma verdadeira obra-prima em forma de vídeo, formato este que ela mesma propôs.

Neste vídeo, não só fomos transportados para suas experiências mais pessoais, mas também por reflexões e sentimentos e nos encontramos envolvidos em um relato comovente, repleto de sabedoria, conselhos e inspirações que ecoam na alma de quem ama o cuidar.

As palavras dela não eram apenas palavras; eram os sentimentos de alguém que sempre se dedicou ao máximo em tudo o que fez, sendo uma luz guia para todos nós, especialmente para aqueles que estão no início de sua própria jornada na doulagem ou sonham em seguir por esse caminho. O relato está agora ao seu alcance, tanto em vídeo quanto transcrito em forma de texto logo abaixo. Esperamos, de todo coração, que esta narrativa toque você e ilumine seu caminho.

Por toda essa preciosidade, somos eternamente gratos a Josiane. Que sua jornada continue a inspirar e guiar muitos outros pelo caminho do cuidar e da dedicação as gestantes e as suas famílias. Com imensa gratidão, compartilhamos este tesouro em forma de vídeo.

TRANSCRIÇÃO DO VÍDEO

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O Caminho Para Se Tornar Doula: A Narrativa Da Jornada Pessoal Da Doula Josiane

Esta transcrição foi obtida via software, portanto está sujeito a alguns erros de português, de gramática ou palavras trocadas.

Olá pessoal, espero que vocês estejam bem. Meu nome é Josiane, mas para os íntimos podem me chamar de Josi. Eu sou doula aproximadamente um ano e meio, me formei pela E-Materna e queria e fui convidada por eles para contar um pouquinho da minha história e do que tem sido a minha trajetória e do que me motivou a procurar a doulagem.

Eu tenho 41 anos, sou mãe da Ana e do Miguel, a Ana tem quatorze, o Miguel tem seis. Sou casada a vinte e um anos com o Tiago, sou uma mulher cristã e me encontrei como doula de verdade

A confiança entre doula e gestante floresce, construindo um vínculo duradouro.

Eu tenho um prazer imenso em falar para vocês que a cada nascimento que eu presencio e que a cada mulher que eu ajudo a vivenciar o seu processo, independente da via de parto que vai vir acontecer nesse nascimento, é como se eu renascesse.

E eu vim contar para vocês um pouquinho mais sobre isso, o que me motivou e quando eu fiz 40 anos, parece que virou uma chavinha aqui eu comecei a sentir uma angústia, eu comecei a olhar pra trás, pros meus sonhos de quando eu tinha os 20 anos e como eu imaginava que ia ser o meu casamento, o meu maternar, a pessoa que eu iria ser.

Eu acho que todas nós temos um pouquinho disso, de imaginar o nosso futuro e aí eu não gostei muito do que ouvia. Se eu gerenciava cinco escolas na época, não tem nada a ver com o universo da doulagem, embora eu seja bióloga de formação, então eu sempre fui apaixonada pela fisiologia humana. Eu acho o nosso corpo incrível, em especial os corpos femininos que imagina, nós somos capazes de formar um ser humano inteirinho dentro de nós.

Isso é algo que sempre me fascinou tanto é que a anatomia era a minha paixão na época da faculdade, mas isso foi há mais de 20 anos atrás. A gente acaba esquecendo e a vida toma outros rumos e a gente vai vivendo e vê o que acontece. Mas aí o resultado caiu. Aquela ficha eu não gostei do que eu estava vendo, eu não estava sendo a mãe que eu queria ser, nem a esposa que eu tinha almejado ser.

E aí eu fui procurar por algo. Aquela insatisfação estava dentro de mim. Comecei a ficar triste na hora de trabalhar. Sabe quando você acorda, fica onde não queria ir, mas a gente tem conta, né? A gente tem um monte de compromissos para serem honrados e eu não tinha essa opção. Eu sou a mais velha numa família de quatro meninas e a minha irmã caçula engravidou.

Nós estávamos na pandemia. Ela contratou uma obstetriz e eu fui doula, sem saber, eu cuidei dela. Então, por ser mais velha, eu acredito que o cuidar e o proteger sempre esteve em mim, mas ficou muito presente naquele momento. Quão maravilhoso foi fazer parte daquele processo? E a obstetriz que a acompanhou veio conversar comigo. Ao final, meu sobrinho veio através de um parto natural.

Foi maravilhoso, muito especial. E ela falou Olha, Josi, eu observei em você um dom natural. Você nasceu para ser doula. Procura mais sobre isso, lê sobre, faz um curso que você acha legal e me procura que eu vou te ajudar. E através dessa obstetriz ela conhecia uma das professoras do curso, Alexandra. Excelente! E foi através dela que eu cheguei ao Materno.

Assim, eu considero um golpe de sorte, porque quando a gente pesquisa no mercado, não é puxando o saco não, tá? Gente, com o perdão da palavra. Mas nós encontramos cursos tão rasos, tão fraquinhos, que eu me considero privilegiada por ter chegado na E-Materna e ter tido uma formação tão completa. Tá? Eu fui uma aluna apaixonada. Não, não tenho como me definir de outra forma.

Eu estive presente em todas as aulas. Eu arrisco dizer que eu até enchi um pouco a paciência dos professores, porque eu sempre tinha muitas dúvidas quando eu não atuava na área. Eu era uma das poucas alunas na minha turma que não tinha nada relacionado, não trabalhava no hospital, não era uma formação a mais, não era enfermeira, então eu tinha.

Eu ia abraçar um universo completamente novo, não tinha nada a ver com a vida que eu estava levando. Então eu sempre tive muitas dúvidas. Eu fazia todos os meus trabalhos. Sabe aquela nerd? Sou eu. Mas eu acho que isso vem do medo também, porque eu não tive resistência para mudar de profissão. A minha família me apoiou porque eles estavam vendo e presenciando a pessoa que eu estava sendo, né?

Estressada, cansada, sempre muito reativa, e aquilo nunca foi natural de mim. Então eu conversei com o meu esposo que era o maior interessado, porque nós temos contas a honrar e só que eu estava a ponto de ter um burnout e ele sempre foi muito companheiro, me acolheu, me abraçou e falou vai lá e vai dar tudo certo. Então, quando eu me informei, aí vai a primeira dica, não, a primeira eu já dei, que é o que a gente dedica, vai nas aulas, assiste os vídeos, faça os trabalhos, pergunta mesmo, nenhuma dúvida.

É uma dúvida boba e os professores estão aí pra isso. Então se joga mesmo, isso vai faz diferença porque te deixa mais segura, né? Para mim, pelo menos foi muito legal ter as aulas gravadas. Foi muito importante, porque depois, ao longo da minha doulagem, quando surgiu uma duvidazinha assim, algumas vezes eu acionei professores e outras vezes eu fui assistir as aulas de novo, porque aquelas aulas me ajudaram bastante e então essa é a primeira dica.

A confiança entre doula e gestante floresce, construindo um vínculo duradouro.

A segunda foi que eu atuava num outro trabalho e eu acredito que a doulagem caiu para mim como uma luva, porque eu não me dei opção, porque eu tinha contas a pagar. E aí eu saí do meu emprego e aí você fica sem outra opção, né? Nem lá, nem cá eu me conheço. Eu sabia que eu não ia conseguir me dedicar a forma como eu gostaria.

Então eu pedi para sair e fui atrás dessa obstetriz que estava comigo com muito medo, com muita vergonha. Aí aqui vai a terceira dica, porque essa foi a minha maior dificuldade.

Eu ficava ali me segurando porque eu sou de São José dos Campos e aqui ela é bem conhecida, já estava atuando há mais de 15 anos na área e eu senti que eu ia atrapalhar, sabe?

Eu não queria perguntar, mas olha, sejam humildes, se você está começando e a ajuda te foi oferecida, por que não aceitar? Então eu passei por cima da minha vergonha e fui atrás dela e foi a melhor coisa que eu fiz. Ela me ajudou e agora eu estou aqui retribuindo o favor da forma como eu posso para poder ajudar outras pessoas, porque eu sei que começar não é fácil.

Tá, A gente tem muito medo, muita insegurança, muita vergonha, mas corram atrás porque fez toda a diferença pra mim. Eu sou uma mulher de fé. Eu acredito que Deus coloca as pessoas certas no momento certo na vida da gente, então acredito que ela foi uma dessas pessoas e ela me deu uma orientação minha, me deu um pontapé inicial ali, me apresentou algumas e eu senti que ela estava atendendo.

E foi quando eu fiz os meus primeiros atendimentos. Eu primeiro não cobrei, tá, mas isso foi algo pessoal e vocês atuem da forma como vocês acharem melhor. Mas eu não achava que eu estava pronto suficiente, embora eu sabia do meu nível de dedicação, da formação que eu tive. A experiência para mim conta muito. Uma pessoa segura, ela passa segurança e eu acho que faltava isso para mim.

Então os meus primeiro atendimentos eu fiz sem cobrar nada. Eu tive essa oportunidade, que para mim foi muito válida. Uma outra dúvida que eu tinha bastante, que talvez seja a dúvida de vocês, é o que que é importante que eu tivesse, sabe? Eu tinha aquela dúvida de como formar, montar uma bolsa das coisas que eu queria comprar. Eu não sei se vocês tiveram essa aula, mas umas das aulas que nós tivemos foi com a Patrícia e a Patrícia deu um vídeo para nós.

Assistimos com uma doula que eu sou fã dessa doula que nos ensina como montar a bolsa de doula. E assim eu achei a energia daquela mulher tão legal que eu assisti aquele vídeo de como montar, eu coloquei aquela bolsa como a minha bolsa ideal, só que no momento no início, e isso é importante também. E eu não tinha condições financeiras de comprar tudo.

E aí eu cheguei nessa minha amiga que essa obstetriz acabou virando minha amiga. E aí eu perguntei para ela o que que é essencial, porque na minha situação eu estou começando agora, eu não tenho condições financeiras, por exemplo, para ter uma lâmpada super legal que muda de cor para ter uma caixinha de som, né? Muito legal assim para colocar uma música pra rolar.

Então, o que que ela considerava essencial? E aí ela me disse eu investi nesses itens e hoje eu até não investiria em todos aqueles, porque só sendo doula que você descobre o que é mais importante para você. Mas olha gente, a ferramenta mais importante para uma doula atuar com sucesso é ela amar o que ela faz. Precisa gostar de lidar com seres humanos.

Esse é o primeiro ponto em seres humanos que estão em momentos de muita fragilidade, porque a mulher, quando ela está em trabalho de parto, ela está num momento de muita fragilidade. E como a gente, estabilidade emocional muito grande, né? Então a gente precisa ter esse filling a fim de não levar pro coração, de não se assustar facilmente e de amar, independente de então.

Essa característica eu sempre tive. Como eu falei pra vocês, eu sempre amei cuidar, eu vejo alguém precisando, eu quero abraçar, eu quero dar algum tipo de conforto. Então isso eu considero essencial. Outra característica que eu considero essencial é um pouquinho de força nos braços. Tá, eu comecei a malhar e uma das coisas que eu queria mesmo para ter qualidade de vida era fazer exercício físico, que a gente sabe que é essencial.

E pra ser doula você precisa, viu gente? Porque daí a massagem tá o item mais importante da doula são as mãos e todas nós temos que bom, mas a gente precisa não é fazer aquela massagem suave, não é uma questão de carinho, o alívio da dor. Você precisa fazer uma massagem com certa pressão e às vezes o trabalho de parto se estende por dez, 12h aí você precisa ter um certo preparo físico para aguentar a jornada.

Ele vários partos que eu atuei. Você sai com as mãos assim, meio trêmulas, porque a gente usa bastante, tá, então são características essenciais. Mas aqui na bolsa de doulas, um minutinho dá uma lubrificada aqui porque fala muito. Um dos itens que eu mais uso são as bolsinhas de ervas. Eu comprei mais de uma, mas a princípio foi uma só.

Eu pedi para fazer porque acho que eu encontrei no mercado. Eram bolsinhas muito pequenas e elas são um item muito legal para a mulher ter o enxoval do bebê, porque elas ajudam muito com a cólica. E aí eu pedi para fazer uma mais compridinha, achei mais um mercado tem de várias, vários tipos. Tem umas até que vira uma faixa que cobre a parte da frente, a parte de trás, mas eu acho que para o manejo ali para mim eu pedi esse tamanho e eu acho que foi o ideal.

Tá? Eu uso bastante elas têm erva doce na composição, camomila, então é legal porque quando você aquece no microondas, além de serem super úteis, elas dão aquele cheirinho agradável para o ambiente, né? Então esse é um item essencial para uma bolsa de doula. Outro item muito legal é o rebozo, que não tem como a gente usa muito, o rebozo você usa pra cobrir a gestante, porque quando ela está em trabalho de parto, vem ondas de frio e de calor, então a gente usa para cobrir, a gente usa pra se cobrir, porque às vezes o trabalho de parto é longo, esfria, você esqueceu uma blusa, vira um xale ali na casa da gestante, de repente tem uma luz, mas a luz é muito forte. Você pode colocar o rebozo ali, então deixa aquele ambiente um pouco mais acolhedor, uma luzinha indireta. Às vezes a gestante vai para o hospital de vestido, né? E às vezes a gente chega ali para fazer cardiotoco e não tem um lençol para cobrir as pernas. Então o já salvou várias vezes neste sentido.

Então é uma ferramenta incrível. É o meu primeiro rebozo. Eu ganhei, né? Então eu tenho um carinho imenso por ele. Até agora não comprei o outro, mas é algo que eu tenho vontade de comprar, porque conforme vai aumentando e a sua agenda vai ficando um pouquinho mais concorrida, graças a Deus, né?

Você às vezes acontece de emendar o parto no outro e a gente sabe que é um parto natural.

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Ele está ali com fluídos, tem vários fluídos e às vezes acontece de sujar o rebozo e aí não está pronto o próximo parto fica meio corrido, então eu tenho interesse em ter mais um. Mas calma, estou no processo. Um outro item que é muito legal é um leque, porque lembra que eu falei que tem as ondas de frio e de calor e tem algumas eu senti que em trabalho de parto sente muita falta de ar e aí você precisa abanar.

Hoje em dia tem aqueles ventiladores de ninho também e eu não tenho. Eu tenho leque e é um leque muito legal. Eu uso bastante eu ali, o essencial, né gente? Com linha essencial também não tem como não ter, porque você pode colocar naqueles, naqueles aparelhinhos, na tomada pra dar um cheirinho gostoso pro ambiente. No curso a gente aprende a diluir também para você usar nas massagens.

E usa muito, principalmente o de lavanda. Hoje em dia, conforme então aqui o óleo de lavanda é essencial, mas depois você vai comprando outros olhinhos, outros aromas que sejam agradáveis, porque alguns hospitais, por exemplo, têm banheira, né? E aí eu gosto de colocar umas gotinhas ali para dar um ar mais gostoso na água. São vários itens. Conforme eu for lembrando, eu falo um pouquinho para vocês.

Mas eu queria falar um pouquinho sobre como foi a minha primeira experiência como doula. Eu fiquei meio instável emocionalmente porque você fica com um pouco de medo que é natural, embora ou não estivesse cobrando. Então se eu tivesse ali eventuais falhas, né? Era esperado porque aquela pessoa sabia que a minha atuação era recente e por isso eu não estava cobrando pelo serviço.

Mas eu me dediquei 100%. Um erro que eu cometi e que hoje eu não cometo mais. Eu fui muito cedo pra casa da gestante porque ela estava muito insegura, ela era uma multi para, né? Era a segunda gestação e ela estava com muito receio de não conseguir. Ela tinha passado por várias violências obstétricas no primeiro parto e aí eu falei vou pra lá, vou para lá, porque eu consigo ter mais controle da situação estando lá.

Só que aí eu fui e ela ainda estava na fase de latência e aí eu não havia meio de vir embora, porque mesmo na fase de latência, as massagens dão um alívio que a gente sabe que dá um alívio muito bom e ela estava super apegada a mim. E a minha maior dificuldade é que quando chegou na fase ativa eu estava bem cansada, mas não desisti.

Fiquei ali me dedicando ao máximo. Mas depois que o bebê nasceu deu tudo certo. Foi um parto normal. Nós tivemos algumas intercorrências ali, porque embora eu tivesse cadastro no hospital, inclusive gente cadastro no hospital, procurem ver, tá? É algo que dá um trabalhinho, mas é absolutamente necessário. Cada hospital tem uma forma. Eu até fui atrás dos professores para me auxiliar nessa questão.

Eu não sabia que ia abordar e eles são meio fechados em relação a novos profissionais atuando, mas é persistência, tá? É batendo na porta, aliás. Mas com quem que eu posso falar? Eu passo aí, pessoalmente, porque se a gestante te contrata e ela tem determinado convênio, vai pra que escolheu aquele hospital? Se você não tem o cadastro, isso já te impede de atuar, né?

Então eu fui me informando, pesquisando na internet quais eram os hospitais mais procurados e deu um certo trabalho, mas eu conseguia, comemorava como se fosse final de Copa de France e quando eu conseguia o cadastro em algum hospital aqui em São José nós temos vários hospitais aí, alguns ainda são bem fechados, mas em sua grande maioria eu consegui fazer o cadastro e nesse hospital em questão foi o primeiro, porque eu sabia que é o primeiro que eu ia atuar.

Então eu fiz o cadastro, fiz o curso que eles exigiram, levei a documentação, tava tudo certinho, mas essa gestante ia ter com o plantão e aí quando o médico é plantonista, eles dão o benefício para o médico de aceitar ou não uma doula assistindo essa gestante e eles não me deixaram entrar, Então eu já estava super cansada e aí eu não fui embora.

Eu fiquei ali na recepção porque eu precisava saber qual ia ser o resultado final daquele parto que estava assistindo. Então eu não aconselho o pessoal se informem antes, conversem com enfermeiros, com obstetrizes, pessoas que estejam na área, que possam te orientar. Se vocês forem atuar. É um parto que já tem uma equipe. Não tenho medo de falar com esses profissionais.

Olha, eu sou nova como doula. Que horário que você acha que é legal? Eu? E você acha que realmente pelo que a gente está observando, que ela já está na fase ativa assim tem o lado ruim de perguntar, né? Porque de repente você demonstra para aquele profissional que você não é tão experiente assim, mas por outro lado, você é mais respeitosa contigo, né?

Porque eu fiquei extremamente cansada e depois que o parto aconteceu que eles já estavam bem, que eu vim pra casa, eu fiquei assim, sem condições de convivência, eu dormi um tempão, eu não pude falar com os meus filhos, eu parecia fisicamente que eu tinha levado uma surra, muitas dores musculares por conta da tensão e então a hora que você vai pra casa da gestante é um ponto bem importante.

Não é que você precise ir somente na fase ativa. Qual que é a abordagem que eu escolhi atuar hoje? Eu sei que muitas doulas fazem isso. Falamos pra casa da gente no momento da fase ativa, mas eu também não concordo. Não acho legal porque um dos nossos. Uma das nossas obrigações mais importantes é justamente ter o respaldo emocional e às vezes a ansiedade ali, quando começa o trabalho de parto é muito grande, principalmente se tratando de uma prima que ela nunca esteve ali naquela situação, né?

E às vezes a gestante tem muito medo, elas não querem nos decepcionar. E aí o que eu faço é que eu acho que é visto com bons olhos por parte das pessoas que me contratam. Eu falo para o acompanhante, seja esposo, esposa ou uma mãe ou irmã, a pessoa que vai acompanhar, gravar o meu celular, eu falo olha, não é legal, eu vim muito cedo para sua casa, porque se eu vier muito cedo, primeiro que eu vou estar muito cansada e na hora que você mais precisar de mim, talvez eu não consiga te dar o melhor atendimento de acordo com o meu cansaço.

Segundo que quando eu chego na sua casa eu tira um pouquinho da sua privacidade. Querendo ou não, por mais que nós tenhamos uma conexão legal e nós já temos conversado bastante, eu não sou, não moro ali. Então tira um pouquinho da sua privacidade. O importante é você mergulhar no seu processo, você se entregar. Então não é tão legal que eu venha muito cedo.

A confiança entre doula e gestante floresce, construindo um vínculo duradouro.

E terceiro que quando chega a doula na sua casa, você acha que seu bebê está preste a vir e pode ser que o processo ainda demore um pouquinho e isso gera uma ansiedade ainda maior, então não é muito legal. Porém, uma das minhas funções é te dar respaldo emocional e às vezes ansiedade está tão forte que você precisa de mim, então me aciona.

Não tenha medo de me acionar, eu me coloco a disposição pra ir na casa da gestante, eu falo que nós somos como se fosse um calmante natural. Nem uma, nem duas, nem três aconteceram muitas vezes de eu chegar e aí ela não fica assim. Mas eu juro, eu estava com contração de cinco em cinco minutos, eu não estava aguentando.

E agora que você chegou, acabou. Parece que eu estava contando uma mentira, mas não é. E às vezes quem me aciona é o parceiro. É a parteira que observa que aquela pessoa não tá legal, precisa de ajuda, tá? Então é uma atitude que eu tomo. E aí eu chego, converso, acalmo, faço uma massagem, coloco a pessoa no banho, vai sem pressa, a gente dá um atendimento.

Aí quando você vê que realmente ela está na fase de latência, que não é tão bacana você ficar ali, você deixa eles e volta pra casa depois, quando retomar e você vê o que pegou, que ritmo. Aí é o momento de voltar e aí eu já fico com eles até o nascimento, até o desfecho daquele pai, Tá, então essa foi uma das maiores dificuldades.

Mas eu acho que é natural, né? Vem da falta de experiência. Mas eu espero que com o meu relato eu possa ajudá-las. E vocês não cometa o mesmo erro que eu cometi, tá? Sobre os principais princípios que guiam uma doula, eu acho que eu já falei um pouquinho aqui. É um ser vivo. Eu acho que o que a gente precisa é de uma personalidade servidora, porque não tem como gente, não tem como.

Se o seu objetivo é simplesmente financeiro, não tem como você atuar com excelência, tá? Essa é a minha visão. Posso estar enganada, não é que você vai ser impedida de ter uma doula? Claro que não. Mas aí você não vai ser uma profissional, pois não é isso. Existem doulas e doulas no mercado é assim. Embora eu esteja atuando há pouco tempo, eu estou como eu falei para vocês, não completei nem dois anos de doulagem.

Eu tenho orgulho de dizer que eu já participei de aproximadamente 40 partos, que é um número significativo para quem tem esse tempo de doulagem. Então eu acho que muito disso vem do nível de dedicação, tá? Porque é a indicação, gente, uma gestante indica para outra gestante. É muito importante a gestão nas redes sociais. Você grava vídeo, você tira dúvidas?

Com certeza é muito importante, mas eu noto que a o meu maior público vem de indicação. E olha que legal, eu já atuei dentro de um ano e meio, tá óbvio que não são muitas mulheres que fazem isso. Eu estou duas mulheres. Eu estou atuando já pela segunda vez. Semana passada uma das minhas ex-doulandas já me procurou.

O bebezinho dela está com nove meses e ela está gestante novamente, então eu vou ser doula dela de novo. É aquele meu primeiro parto que eu fiz sem cobrar. Ela também engravidou e eu já atuei como doula e aí dessa vez cobrando com muito mais experiência, com muito mais segurança. E aí foi um parto maravilhoso, eu consegui entrar e atuar da forma com que eu queria, então foi muito legal.

Então é isso, é ter uma personalidade servidora, porque se não fica bem, bem difícil, tá? É assim gente, o curso materno foi muito legal, foi muito completo, mas eu acho que a gente não pode parar de estudar nunca. Por exemplo, uma das coisas que eu mais observei que são assim super efetivas no momento do trabalho de parto é a respiração.

E a maioria dos profissionais que atuam dentro dos hospitais. A gente precisa entender que são profissionais que estão ali, às vezes no plantão de 12h, né? Estão cansados, estão estressados, não tem vínculo com a sua gestante, então não vai ter o mesmo carinho e eles querem que aquele parto acabe para que eles descansem. Então, muitas vezes ali na hora do expulsivo, eles ficam acelerando.

Então, assim, uma das coisas que eu aprendi na aula da Alexandra foi esse caminho do meio. Sabe porque você não pode entrar um embate com aquela equipe? Não é que vai acontecer. Todas as vezes a gente já fez grandes amizades com enfermeiras, com técnicas de enfermagem, com médicos. Mas por quê? Porque você precisa ter sempre uma postura. Eu tenho comigo que a gente quebra as pessoas na gentileza, com firmeza, assim, mostrando que você tem conhecimento sim, que é aquele profissional que gera algo errado, não vai passar batido porque você sabe que aquele profissional está errando, mas com gentileza.

Isso foi uma das lições mais valiosas que a professora Alexandra me passou, porque se você entra num embate com o médico, por exemplo, que foi desrespeitoso naquele momento, primeiro que vai ficar aquilo vai ficar na história daquele parto, daquela gestante. Ela pode ficar nervosa, perder totalmente o foco dependendo da fase que que estava ali, daquele nascimento. E segundo, porque você pode acabar com as suas chances de atuar naquele hospital.

Infelizmente existem as regras e em um centro obstétrico, o profissional, o médico, ele responde legalmente por aquele, por aquele lugar, pelo resultado daquele parto. Então ele é como é que eu posso dizer que não é o maioral? A palavra que eu quero usar, ele é o responsável. Então ele vai responder por qualquer coisa de errado que aconteça ali, então utilizar o caminho do meio.

Fala sim doutor. Olha, ela estudou bastante, fez o plano de parto, ela não queria que tivesse a episiotomia, embora ela esteja meio insegura. Agora, se fizer depois, ela pode ficar chateada. Eu acho que não dá para a gente esperar mais um pouquinho, sabe? Às vezes você nota que aquele profissional que está, ele não está fazendo a manobra de Cristo.

Ele era sim super na cara, mas ele tenta dar uma empurrada e aí ele fala assim Doutor, eu uso a distração. Sabe, doutor, eu estou com uma dúvida que ela está. Ela está com bastante dor aqui é normal. E aí pra ele tirar a mão dali, sabe assim? Porque se eu falar doutor, não põe a mão aí, ele não pode fazer isso.

Pensa que que chato, sabe? E a gente pode acabar com as nossas chances, que já são tão poucas de atuar naquele hospital. E eu sempre procuro, depois do parto, de cumprimentar o profissional, sabe? Mesmo que não tenha sido assim, super legal pra ele ver que vale a pena ser educado. Por exemplo, em uma situação nós temos um hospital aqui.

Puxa, José, que foi esse que me impediu de entrar e é o doutor responsável pelo setor, foi o doutor que atuou no. Chegou na segunda vez que eu fui atender essa gestante e aí eu consegui entrar porque eu fui por outros meios. Eu entrei e falei que porque a gente tem um portão, aí eu falei ah, a gestante já está internada, é um trabalho de indução e eu vou ver como que ela está.

E aí eles liberaram a minha entrada e eu já estava lá e depois para tirar. Pelo menos comigo nunca aconteceu, eu já estava lá mesmo. E aí foi aquele médico que havia me impedido de entrar na vez anterior que estava lá. Eu falei tudo bem, vamos aí eu falei que bom que é o doutor. Ela queria muito que fosse o senhor, porque ela admira muito seu trabalho.

Aí eu já fui enchendo o ego dele, sabe? Ele foi mudando. Você que ele chegou meio arrogante assim, mas aí eu fui quebrando ele na gentileza, elogiando, e aí ele já tinha vontade de agradar, porque aí eu, querendo ou não, eu criei uma expectativa, aí entendeu? E aí mudou todo o cenário. Ele falou Nossa, que legal, eu nunca te vi por aqui, mas lá eu tô aqui de vez em quando por funcional.

Foi um prazer te conhecer. Aí no final foi um prazer trabalhar com o senhor. Tomara que aconteça outras vezes. Então é assim, gente, várias vezes a gente vai ter que lidar com jogo de cintura mesmo, sabe? Não é mentir mais sim com jeitinho, porque você é funcionária da sua gestante e você está fazendo aquilo prol dela, da experiência dela para ter uma experiência positiva, tá?

Outra coisa importante que eu sempre falo quando eu estou atendendo é que eu não sou aquela doula que olha um parto normal a qualquer custo. Você me contratou para isso? Então vamos. Não, gente. A gente precisa ter em mente que cada pessoa é uma pessoa. Existem milhares de dor diferente, existem expectativas diferentes, porque às vezes a gestante te contrata e ela te contrata.

Na cabeça dela, ela quer um parto normal, porque ela leu que é o melhor e não sei o que mais no coração não. Então, qual é o nosso papel? Não é forçar essa mulher. Essa é uma dica de ouro, gente, pelo amor de Deus, a gente precisa respeitar a pessoa que te contratou, precisa respeitar um caso que aconteceu comigo.

Eu fui contratada por uma gestante. Ela tinha um problema muito sério de ansiedade, tanto é que ela mesmo ao longo da gestação, ela precisou tomar uma medicação controlada e o medicamento forte, com aval do médico, claro, mas não pode ficar sem esse medicamento. Então ela tinha muito medo do trabalho de parto e aquilo gerava uma ansiedade assim incontrolável nela.

E ela contratou a mim, a enfermeira obstétrica e a G.O e a médica também, mas ela falou assim para mim Hoje eu preciso que você me dê a segurança de que você vai me respeitar, que se eu chegar no meu limite nós vamos conversar e você não vai me ter como louca. Olha, olha que judiação, porque eu já passei por isso várias vezes na minha vida, das pessoas em validarem.

Então eu estou estudando, eu sei que é o melhor parto, eu vou fazer de tudo para que ele aconteça, mas se eu chegar no meu limite, eu preciso saber que eu vou ser respeitada.

Então, qual é o nosso papel principal? É informar. Você precisa informar, deixar aquela mulher segura. Então, além de atuar com técnicas não farmacológico, temos um alívio da dor, com respaldo emocional, dando carinho, acolhendo.

A confiança entre doula e gestante floresce, construindo um vínculo duradouro.

Há um papel mais importante que a doula tem é a educação perinatal. É o que acontece antes do trabalho de parto acontecer de fato. Porque assim, para aquela mulher, libere as toxinas e consiga se entregar para o seu processo, ela precisa se sentir segura e para ela se sentir segura, ela precisa de informação de qualidade. Então, qual é o nosso papel?

Informar? Você é uma profissional que que ela contratou e que teoricamente vocês têm uma conexão e ela confia, certo? Então a gente informa porque toda escolha tem um benefício e tem o malefício. Não é que é o malefício, mas, por exemplo, se a gestante tem uma dúvida em relação à analgesia, por exemplo, a gente não pode demonizar nada, porque a analgesia não é de todo ruim.

Às vezes a gestante está a ponto de desistir e a gente sabe que o sonho dela era ter o parto normal. Analgesia é uma opção. Por que não? Desde que ela tenha sido informada de que, se ela tomar analgesia, aquele trabalho de parto pode se estender por mais um tempo, mas tem o benefício ela vai ter um descanso, vai conseguir pensar com mais tranquilidade e aquele descanso essencial para ela retomar a energia e depois o trabalho de parto engrenar.

Ela saber, por exemplo, que por conta da analgesia, talvez a gente precise do auxílio de um ocitocina exógena ali, um ocitocina na veia para aquele trabalho de parto seja retornado para que que retome o ritmo, por exemplo. Então ela precisa ser informada de todos os benefícios e malefícios de cada escolha. Mas o importante é gente, que a escolha seja dela.

Essa mulher te contratou para poder ter segurança, para viver a própria história, para ser protagonista exata do próprio parto. É o que eu vejo de profissionais, sejam enfermeiros, sejam outras doulas, tentando reescrever a sua própria história na história da gestante. E isso é muito triste, porque não é a sua história, é a história dela. Por exemplo, retomando o caso da gestante que me contratou, nós chegamos.

A dilatação total estava indo de vento em popa. Só que foi um processo demorado, ela estava com dilatação total, mais o bebê ainda estava alto. Dilatação total não é sinônimo de parto normal, porque pode acontecer por um motivo ou outro, desde bebê não descer e esse bebê não tinha descido e ela chegou no limite dela e nós já tínhamos feito assim vários exercícios, virado ela literalmente de ponta cabeça.

Vocês sabem que tem um exercício de spinning baby que se chama invertida e que às vezes a gente faz lá no hospital porque ajuda no posicionamento. Às vezes aquele bebê está mal posicionado. É uma lateral que você faz ou uma invertida. Uns exercícios assim podem desencadear aquele parto, né? Então, nós já tínhamos feito de tudo com ela e ela chegou no limite.

Ela já tinha tomado analgesia, nós já estávamos ali há bastante, mas a enfermeira queria fazer mais algum jeito. Daí ela olhou para mim. Nós tivemos aquela conexão e eu entrei na frente. Eu falei não, agora não. Ela chegou no limite dela. Ela quer uma cesárea e nós vamos precisar. E aí a enfermeira falava muito ela está com dilatação total.

Aí eu falei então, mas é que o parto é dela, né? Então a gente precisa respeitar. E esse foi um caso que me marcou, porque depois existe uma visita no pós parto e ela me abraçou e chorou muito porque ela falou assim eu me senti tão acolhida, eu me senti vista, eu me senti respeitada. E eu não sei se eu terei mais filhos, mas se eu tiver uma certeza, eu tenho a minha doula vai ser você.

Então é gratificante demais você atuar com paixão, com sabedoria, mantendo o caminho do meio, porque o resultado do XII é uma profissão que você se encontrou e quer levar por muitos anos. Faça isso, seja fiel a esses princípios, porque isso vai acontecer, tá? Em se tratando de casos em que eu atuei, eu quero contar mais um para vocês.

Eu quero contar mais um para vocês. E de todos os partos que eu participei, esse foi um que me impactou. Assim, com certeza entrou para o ranking de partos. Sabe aquele que você sai e parecia que era o meu bebê que tinha nascido quando eu entrevistei essa gestante? Porque eu faço uma entrevista pra gente, eu me reservo o direito de não falar não caso eu não me conecte com aquela gestante.

E isso também é algo que eu aprendi. Eu acredito que foi a Alexandra também. A conexão é o mais importante elo entre a gestante, a doula. Porque às vezes a gente comunica pelo olhar, às vezes às vezes não. É um momento tão íntimo. Às vezes vai acontecer de você dar comida na boca daquela mulher. Às vezes você vai auxiliar e limpá-la quando ela não conseguir.

Às vezes ela evacuou e tá ali uma situação que para ela pode ser constrangedora. E você vai atuar nesse sentido. Então é algo muito íntimo. Imagina você atuando dessa forma e não tendo conexão? Essa gestante me procurou, era uma segunda gestação, mas ela havia sofrido um aborto anterior e esse aborto foi invalidado pela família. Ela não teve o acolhimento necessário e aquilo desencadeou uma depressão muito forte tanto nela quanto no seu esposo.

E ela contou a sua história para mim. Ela é uma gestante obesa e ela tinha muito desejo de reescrever aquela história. Então ela tinha uma primeira filha que foi uma cesárea, onde ela não foi respeitada em diversas, seja pelo peso, seja pela falta de informação. O tempo que ela ficou foi um parto induzido, o tempo que ela ficou naquele hospital largado, sem nenhum tipo de cuidado, de atenção.

Então ela já trouxe várias dores desde o primeiro parto que deu certo, mas tinha a questão do bebezinho que ela havia perdido e que foi invalidado pela família e que houve uma desconexão muito grande entre ela e o esposo. E essa terceira gestação aconteceu em um dia sim, que inesperado. E ela engravidou. E ela me procurou assim, com muito medo, cheia de medo, muito machucada e querendo reescrever aquela história.

Porque se ela não quisesse, ela não tinha me procurado, certo? E de verdade, gente, sendo muito honesta aqui com vocês, eu pensei para aceitar, porque é óbvio que quando você aceita aquele atendimento, você quer um resultado positivo, certo? Ninguém entra para perder. A gente quer dar o nosso melhor e quer que aquela gestante obtenha o melhor. Então eu fui fazer uma oração e pedi orientação de Deus que Ele acalmasse meu coração, porque mediante a tanta dor que eu assisti naquela entrevista, foi uma chamada de vídeo.

A minha vontade era atravessar aquele celular e abraçar aquela mulher. Eu queria muito arrancar dela todo aquele peso, toda aquela dor que ela estava sentindo. E aí eu enfrentei o desafio. Eu falei eu vou, eu vou ter sua dor. Pode me chamar de sua doula a partir de agora, e a gente vai reescrever essa história, ela confirmou. Mas olha, eu tenho depressão, eu não consigo fazer exercícios, os meus exames estão todos atrasados porque eu sei que eu preciso fazer, mas eu não tenho energia necessária para fazer.

A confiança entre doula e gestante floresce, construindo um vínculo duradouro.

Então era um caso gente muito atípico, muito difícil, mas eu falei eu vou estar com você em cada passo desse processo. E foi assim. Eu me doei 110%.

O que eu pude fazer eu fiz por aquela gestante na nossa tribo. No nosso primeiro encontro presencial. Ela estava com muita vergonha de me receber na sua casa, porque isso também é algo que a gente precisa ter bastante sabedoria, porque você vai entrar dentro da casa das pessoas e nem sempre as pessoas, cada dinâmica, cada família tem uma dinâmica.

Às vezes você vai entrar em uma casa que tem cachorros e você não gosta de cachorros. Você precisa saber antes, né? Porque você vai ficar ali naquele ambiente, às vezes você vai entrar e não é uma casa tão limpa quanto você gostaria que fosse. Às vezes é uma casa que está cheia de familiares e você não gostaria que eles estivessem ali.

E a gente precisa lidar com isso, sendo muito diplomático, muito carinhoso. Então é algo que a gente precisa também, que é bastante tranquilidade para lidar. E ela tinha muito medo de me receber porque ela fugiu da minha casa. Eu não consigo limpar a minha casa da forma como você deve estar acostumada. Eu tenho vários animais. Eu tenho uma filhinha e minha filhinha é muito bagunceira.

Eu penso assim Gente, eu acolhi aquela mulher com tanto amor que nem que eu tivesse que entrar no apartamento dela pulando caixas, eu ia entrar. Eu queria muito ajudá-la a reescrever aquela história. E nem era tudo aquilo que ela tinha falado, porque a pessoa com depressão, ela tem um olhar negativo sobre tudo, né? Então não era daquele jeito e eu fui.

E foi muito legal. Eu ouvi sim, sem validar. Sabe, a gente precisa praticar a escuta ativa. O que que é a escuta ativa? É você ouvir sem querer falar. Deixa a pessoa falar, deixa a pessoa colocar para fora os seus medos, as suas dores, as suas dúvidas. Eu fui para aquela casa sem hora para vir embora também não é uma coisa que eu aconselhe todo mundo a fazer, porque o seu trabalho tem um preço, precisa ter um tempo, né?

Mas para esse caso em específico, que era um caso atípico, eu fui dessa forma e foi muito legal. Eu saí assim, muito feliz do que eu encontrei, da energia diferente que eu vi. E a cada conquista, o nosso vínculo foi tão legal que a cada conquista, por exemplo, cada exame que ela conseguia fazer, ela mandava para mim olha, eu consegui fazer.

Olha, eu tomei a vitamina e eu fiz o exercício e aí ela me mandava foto, sabe? Então foi muito legal a nossa conexão. Beleza, aí chegou o dia do parto e foi um parto que precisou ser induzido. A minha postura em relação a indução eu acredito que eu devo estar presente desde o início. Então essa gestante interna a gente sabe que é praxe internar esse processo de internação é um pouquinho moroso.

Então, quando ela ficar na minha vida e eu vou para lá e fico com ela ao longo do processo, a gente não sabe quando que a indução vai pegar. E aí até o tempo de se deslocar, eu acho importante que eu já esteja lá. Tá, isso também é pessoal, tá gente, cada um vai achar a sua forma de doar e muito de cada um eu faço dessa forma.

E aí eu fui pra lá, fiquei com ela, nós caminhamos, conversamos, eu levei umas lampadinhas, nós colocamos fotos na parede, frases, eu coloquei e fiz um ambiente assim pra gente fazer um vídeo enquanto a indução não pegava. A gente fez os exercícios e ela foi incansável, incansável comigo. Do lado dela ali. E aí a indução pegou. Só que quando a indução pega, daí vem o que vem e a gente já tava aí há um tempão e estava cansada, porque incansável que eu disse é porque ela estava fazendo tudo que eu pedia para fazer, como caminhar, fazer experimentos aqui, um exercício na bola ali, tudo para dar uma estimulada e ver se aquelas pessoas que não pegavam e tal. E aí pegou nós ela dilatou. Foi rápido o processo, mas a gente sabe que é doloroso, né? E eu fiz, gente, eu fiz. Não foi ninguém que me chamou, eu vi nos olhos da médica. Mesmo sendo uma médica contratada e o preconceito em relação ao peso daquela mulher, eu ouvi profissionais do hospital falando assim é porque que ela está fazendo com que vocês fiquem aqui, todo mundo cansado.

Vocês estão aqui desde cedo, todo mundo sabe que ela não vai conseguir por conta do peso dela. As pessoas olham e julgam e aquilo me dava um negócio, uma vontade de falar assim que ela vai conseguir. Ela ainda não desistiu, que ela não desistiu. Por que eu vou desistir? Ela está com dor e está lá lutando. Por que eu que não estou, vou desistir.

Ela está cansada. Eu estou cansada. Mas ela vai muito mais, porque além do cansaço, ela está com dor, ela está em trabalho de parto. Eu não posso desistir, essa mulher. Mas assim engolir. Me segurei. Minha vontade era de chorar de verdade, mas eu me segurei e fiquei com ela. E a gente vai conseguir. Eu acredito em você. Eu estou aqui.

Abracei, acolhi gente, foi um parto normal. O bebê nasceu perfeito, não teve nenhuma laceração e ela estava assim tão mergulhada no processo que ela não ouviu. Ela não desistiu. O Lucas veio para o seio dela. A gente conseguiu fazer a Golden hour da maneira perfeita. Uma hora ela deu de mamar, ele pegou na mesma hora primeiro, e eles ficaram ali trocando um olhar.

Ele nem chorou. Ele acordou e ele já nasceu super desperto, com os olhos abertos, colocou a mãozinha no seio dela. Gente, eu tenho esse vídeo, eu tenho as fotos e foi tão impressionante que eu não consegui não chorar. Não consegui porque ela conseguiu. Ela venceu o preconceito, ela venceu as dores, ela conseguiu reescrever toda a história dela. Então assim eu saí daquele hospital com o que eu tivesse acabado de ganhar um bebê.

A minha vontade era sair gritando viu, ela conseguiu. Ela não teve laceração. O filho dela é perfeito. Mamou na primeira hora de vida. Gente, que conexão! Que amor, que amor! E depois eu fiz o pós parto pós parto foi maravilhoso, A gente conversou muito, nos emocionamos, ela escreveu uma carta para mim e ela me chama de minha doula.

Ontem ela me mandou uma mensagem ela foi minha doula. Eu estou te mandando uma mensagem porque eu sonhei com você. Quero saber se você está bem. Olha que carinho! Foi um caso que me impactou profundamente. Uma outra dica que eu quero dar para vocês eu nem sei se posso chamar de dica, mais assim. Quando nós começamos lá no início desse papo, eu falei sobre o porquê de eu ter que me reinventar.

Eu estava a ponto de ter um burnout, uma exaustão por conta do meu nível de dedicação para pessoas que não eram importantes para mim. Então eu não queria cometer esse risco na doulagem, porque é algo que eu amei, eu me encontrei e que então eu queria assim. Eu quero manter essa profissão por muitos anos. Eu não quero ter que desistir porque eu não consegui equilibrar, porque eu me perdi no meio do processo.

Então o conselho que eu dou para vocês eu não sei quantos anos você tem, em que momento de vida você está, mas assim, seja fiel aos seus princípios. Sabe? Tentar fazer esse exercício de se imaginar lá no futuro, porque eu estou vindo do futuro pra te contar que se você não tiver um equilíbrio, se você não for fiel aos seus princípios, você vai perder, porque é uma profissão que exige muito de nós, seja fisicamente, seja emocionalmente.

Em vários casos e em sua grande maioria, os bebês adoram nascer de madrugada. Eles até nascem de manhã, mas o trabalho de parto acontece ao longo da noite. E se você é mãe, por exemplo, em várias situações, você vai ter que abrir mão, colocar alguém para cuidar do seu filho, enquanto você ajuda o filho de outra pessoa a vir ao mundo.

E às vezes é muito pesado se acontecer de uma forma recorrente. Eu já passei o meu aniversário dentro de um centro obstétrico. Também pode acontecer de momentos importantes. Aquela pessoa te contratou e tem a DPP de 40 semanas, mas a gente sabe que não é bem assim que as coisas acontecem. Então você precisa abrir mão de datas importantes, de estar com pessoas que você ama para atender aquela pessoa que te contratou e você ali se dedicando 110% naquilo que você se propôs a fazer. Então o que eu falo para vocês sejam equilibrados em relação a quantas gestantes vocês vão atender?

É uma pergunta que eu não tive coragem de fazer para outras doulas, porque como eu falei pra vocês, é um nicho meio fechado. Elas enxergam todo mundo como concorrente, então não abre para ninguém isso aqui. Essa troca que a gente tem aqui chegou a ser uma coisa muito louca e eu não entendo por que. Porque você ter uma doula é algo tão pessoal, não é qualquer doula que pode ser doula daquela gestante, porque as pessoas são diferentes, né?

Então eu pego uma doula por semana, uma gestante por semana, tá? Em se tratando de DPP, data provável de parto e a gente sabe que isso pode mudar, que nem sempre nasce com 40 semanas, pode nascer com 40 e uma, pode nascer, com 39 pode nascer com 37, a gente sabe, pode acontecer um parto prematuro, então eu coloco ali uma DPP com uma gestante por semana.

Mas eu tenho uma doula backup, que foi uma das minhas maiores dificuldades aqui em São José, porque a princípio eu queria uma doula que tivesse o mesmo nível de dedicação que eu e isso é muito difícil de achar, porque às vezes a pessoa não tem a experiência que eu gostaria que ela tivesse.

Às vezes ela não tem a empatia que eu gostaria que ela tivesse.Às vezes ela não está aberta para aceitar uma novata, entendeu? 

A confiança entre doula e gestante floresce, construindo um vínculo duradouro.

Então é muito difícil a gente encontrar, mas precisa, tá, tem que vencer a vergonha e ir atrás, porque em se tratando de parto, em algum momento você pode precisar. É aquela pessoa também, pode precisar. Então eu encontrei, graças a Deus e a minha parceira, mas eu, não é?

Por incrível que pareça, ela nunca atuou porque nunca foi de gente. Mas assim a todos, eu sou muito apegada às minhas grávidas e antes de fazer qualquer atendimento eu muito eu peço para que o Senhor esteja comigo e que eu possa atender aquela mulher. Já aconteceu, mas o que aconteceu foi assim. Eu atuei um parto longo, cheguei em casa, sentei na mesa, dei uma mordida no pão, isso era de madrugada e eu fui acionada para um outro parto.

Já aconteceu, foi o máximo, mas em nenhuma das vezes eu precisei da minha doula backup. Mas é importante que tenha e deixo aqui o meu conselho não abracem mais do que vocês podem alcançar, porque aí vocês lembrem se de que vocês estão iniciando e vocês precisam construir um nome, né? E hoje eu já estou atendendo. Chegou um dos partos das minhas primeiras gestantes, então é importante que vocês deem um atendimento que vocês se comprometeram a dar, ok? É um conselho que eu dou aqui é assim, gente.

Uma das perguntas que me fizeram também é o que eu penso do meu futuro como doula e sabe que existe um limite físico? Talvez eu, quando eu estiver mais velha, eu não esteja tão forte, eu não consiga fazer as massagens com a qualidade que eu faria. Mas enfim, como meu lance é, vamos viver o hoje, vamos viver o hoje, tá?

É óbvio que eu não vou deixar de estudar o curso que eu fiz. Eu comecei a falar lá atrás. Eu acho que eu não, não concluí. Foi um curso sobre respiração, porque eu achei importante aprofundar nesse tema, uma vez que a respiração é algo essencial para o parto. Então foi o curso extra que eu fiz e existem mulheres que atuam como consultoras de amamentação e existem mulheres que atuam como fazem cromoterapia, aromaterapia, que a gente tem uma pincelada no curso.

Então eu atuo colocando isso no meu atendimento. Então hoje já tenho aquela lâmpada, então eu faço ali o jogo de luzes de acordo com o nível de energia da minha gestante. Eu uso aromaterapia de acordo com os olhos cheios de gás que eu tenho, mas eu optei por enquanto por atuar somente como doula. Uma coisa que eu vejo muito no meio que nos rodeia são pessoas com várias formações, mas que não são muito boas em nada, sendo assim muito franca com vocês e eu não acredito nisso.

Eu não gostaria desse profissional me atendendo porque fica muito confuso. Às vezes a pessoa é uma enfermeira e aí ela fez um curso de doula e ela vendo o serviço como um serviço duplo. Só que na hora do parto ela não consegue ter as duas coisas e aí vira uma bagunça. Ela não é nem uma coisa nem outra, não consegue atuar 100% em nenhuma das formas e quem é prejudicada é aquela gestante que contratou.

Então eu optei por fazer só por atuar somente como doula por enquanto. E eu quero alcançar um nível de excelência que ainda ao meu ver, eu preciso crescer um pouquinho mais, tá? E depois, quem sabe, ir para outras áreas. Não sei bem o que vai acontecer, mas vamos ver o que o futuro nos reserva. De repente eu viro aí uma professora e de repente eu viro uma consultora de amamentação.

Não sei, mas para que eu possa atuar em uma área diferente minha, eu preciso estudar e me aprofundar e começar tudo de novo. E agora no meu atual, na minha atual situação. Eu estou muito feliz com os resultados que eu venho obtendo como doula, como com a qualidade de vida que eu consegui imprimir aqui na minha casa. Hoje eu consigo cozinhar as minhas refeições, eu consigo sentar à mesa com a minha família.

Para mim isso é muito importante. Eu consigo ouvir como foi o dia da minha filha na escola. Eu consigo ser uma esposa e ouvir como foi o dia de trabalho do meu esposo. Eu consigo atuar com mais carinho e atenção, porque eu não estou sobrecarregada, então isso é muito importante. Continuo como doula e o futuro a Deus pertence, mas eu não quero parar de estudar.

Eu acho que isso é essencial, porque se a gente para de estudar, a gente deixa de crescer. E a obstetrícia a gente ciência, não para de evoluir, certo? Agora eu gostaria de falar com vocês um pouquinho sobre a importância da família no processo de trabalho de parto, porque às vezes a gente fala pra a gestante, às vezes a gestante ou gestante, e eu me vejo como doula da família.

Então eu acho muito importante. Sempre incentivo a todas as gestantes que eu atendo a trazer o companheiro ou a pessoa que vai acompanhar o seu trabalho de parto para participar dos nossos encontros. Porque é fundamental. Imagine você é uma pessoa nova que está atuando ali junto aquela gestante, um familiar, o esposo tem um outro patamar de importância na vida daquela mulher.

Ele tem um amor grande por ela e ele precisa entender como é o processo para que ele não encare aquele momento como um momento de dor e sofrimento, para que ele seja um apoiador, para que ele faça parte e vocês formem uma equipe. Eu estou falando Ele tá, gente, mas sentiram aqui a tia, a irmã ou quem foi a fora atuar?

Não mesmo. Eu fui atender uma gestante e ela é uma mãe solteira e quem vai estar com ela vai ser a irmã. Então eu estou dizendo no acompanhante, mas eu vou usar que ele, porque a gente na grande maioria são os pais que atuam junto às esposas e assim, imagine você a gestação está acontecendo no seu corpo, então você sente cada mexidinha que aquele bebê dá, cada mudança que acontece, mas o pai não.

Então eu gosto de inserir ele, eu gosto de abraçá-lo também. Eu falo que eu sou doula da família, porque não é raro acontecer de depois que o parto acontece. E aquele bebezinho nasce, aquele pai que fica tenso, tão tenso. Às vezes ele precisa de um abraço. Aconteceu com um dele, inclusive vieram um pai asiático, então ele estava assim, super sério e com medo e fechado.

Em todos os nossos encontros. Era ele que levava o caderninho e eu achava maravilhoso, porque ele vinha com caderninho e tomava nota de tudo o que eu falava. Eu vi que ele tinha uma postura muito protetora em relação à esposa e assim me via com uma certa reticência, com um pouco de medo. Mas eu fui quebrando ele na informação, na segurança, no acolhimento e após o nascimento ele estava muito tenso.

Eu falei posso te dar um abraço? Ele falou pode. E quando eu abracei aquele pai, ele chorou tanto, ele colocou aquilo para fora e foi tão importante. E depois eu tive um feedback da esposa que falou para mim que hoje você ganhou um fã. Todo mundo que vem aqui em casa visitar nosso bebê. Ele pergunta você quer ter mais filho?

Você já ouviu falar de doula? Não, porque tenho uma doula. Eu não sei se vai ter médico, eu não sei se vai ter enfermeira, mais doula. Você não pode deixar de ter. Então acho que é muito importante que a gente acolha essa família, que a gente informe até que o seu trabalho seja realizado da melhor forma, porque às vezes você vai precisar de apoio, entendeu?

Às vezes aquela gestante não é raro de acontecer também, de ela desistir. E não é que ela desistiu de verdade? Mas ela está com muita dor e às vezes a sua voz deixa de alcançar e a voz daquele familiar alcança. A sua não alcança. Já aconteceu. Inclusive é uma puérpera que eu tenho um vínculo muito forte. O parto dela não foi via vaginal, foi uma cesárea.

E foi uma cesárea porque ela escolheu, porque ela tinha chego no limite dela. E essa gestante em especial, nós tínhamos tido uma conexão muito legal nas visitas de pré-parto, mas na hora do trabalho de parto a minha voz não conseguia alcança-la. Então eu fui atuando através da voz do pai do noivo dela. Eu falava e ele fazia, eu falava e ele fazia.

E aquilo foi tão legal, foi tão bonito de ver a conexão deles, o amor, o carinho. E eu fui toda a família. Então, depois, no pós parto, até quero falar com vocês a respeito do pós parto aqui, o quão importante a visita que acontece após o nascimento. O que mais falava comigo era o pai. Então, assim, pedindo indicação de pediatra, mandando fotos da filha, conforme ela foi se desenvolvendo, falaram para mim não, se nós tivermos mais um filho, você é doula, com certeza.

No aniversário de um ano você precisa estar aqui. Então, assim, é uma interação muito bacana. Acolham os familiares, estejam abertos para o medo que eles possam sentir. Nenhum medo é à. Toda pessoa tem uma história. Tentem respeitar e colocar limite se preciso for, porque às vezes é a mãe, por exemplo, né? E essas pessoas não fazem por mal elas.

A confiança entre doula e gestante floresce, construindo um vínculo duradouro.

Amam a filha, por exemplo, e querem protege-la. Mas é falta de informação. Então acolham e ao invés de afastar, traga para perto, tragam para perto e informem.

E aí aquela pessoa vai ficar segura. Inclusive a mãe dessa gestante foi, uma pessoa que me abraçou muito e chorou muito porque ela falou assim eu não vou poder estar lá, mas eu estou feliz porque vocês estão indo.

É como se eu estivesse. Olha que importante você ouvir isso da mãe da gestante, muito maravilhoso. Então tem um ensinamento em relação às famílias vamos conversar sobre o pós parto. A visita no pós parto é uma visita importante, mas o meu maior medo era como eu ia atuar. Eu ia ter assuntos pendentes, porque não é só o emocional.

Eu considero que essa é a característica mais importante, porque quando a mulher está gestante, ela recebe muita atenção dos amigos, dos familiares. Mas aí, quando esse bebezinho nasce, a maternidade é um lugar muito solitário, né? E você se vê com um peso enorme nas costas, com a responsabilidade de ser nutriz desse bebê. E a amamentação. A gente sabe que é um outro desafio e parto para um outro momento.

Mas que é algo muito difícil, né? E a atenção que essa mulher recebia, ela deixa de receber e toda a atenção acaba sendo transferido aquela criança. A maternidade é um lugar muito solitário e às vezes essa mulher, às vezes não. Enquanto ela estava gestando, eu digo que os hormônios estavam aqui. Este bebê nasceu. Houve uma queda brusca, hormonal.

Ela está perdida. Ela não consegue se reconhecer no próprio corpo e nem dentro da própria cabeça. E tem todo um mundo novo que se abriu para ela. Ela acabou de nascer e nem sempre ela recebe a atenção devida. Então, assim, um dos pontos que eu considero mais importantes é saber que existe uma tristeza importante ali, e não é simplesmente um blush, mas de repente o sinalzinho de depressão, algo que a gente precisa se atentar.

Então esse é um ponto que precisa ser observado, mas a gente revive a experiência e isso é muito legal. A gente fala sobre o que passou, com os hormônios um pouco mais e as emoções um pouco mais instáveis do que no momento do parto. Geralmente eu choro porque eu sou bem chorona e a gente vê o bebê. Eu vou perguntar sobre como está aquela amamentação.

Eu peço para olhar o seio pra ver se não tem algum tipo de fissura. Então eu vou dar uma orientação, porque não é porque eu não sou consultora que eu não atuar na amamentação, tá gente, vocês fizeram um curso, vocês sabem que a gente recebe aí da Patrícia uma super aula que fala sobre amamentação, sobre os cuidados com o bebê.

Então, na visita de pós parto a gente conversa bastante sobre isso, tá? Eu vou verificar como é que está a mama, quantas fraldas estão sendo trocadas e como é que está o banho, os cuidados com o umbigo e porque é de verdade os pais, eles sentem muito medo de como cuidar. Às vezes o umbigo ainda não caiu, às vezes passa o cotonete com álcool de 30% fora, às vezes não passa.

O álcool 70%. Tem gente que não passa. Então, assim eu vou observar isso. Vou observar como é que está a dinâmica dessa família com um novo integrante. Nós vamos conversar sobre rede de apoio, porque assim, várias vezes eu me deparei com a seguinte situação tem rede de apoio? Tem. A minha mãe vai aqui comigo, mas aí a mãe vira a mãe do bebê.

Todos os cuidados que aquele recém-nascido demanda quem está fazendo é avó. E aí se instala uma super insegurança naquela mãe que acabou de nascer. Então é muito importante a gente dar a orientação de que a rede de apoio é para aquela avó ou a tia, ou que seja encher aquele filho de comida, limpar a casa. De repente, segurar o bebê para que ela possa tomar um banho tranquila para que ela possa ter pelo menos 03h ininterruptas de sono.

Porque a falta de sono é enlouquecedora no puerpério, né? Então a gente conversa bastante sobre a rede de apoio também. Outra coisa importante que houve laceração e foi uma cesárea. Eu sempre dou uma olhadinha como é que estão aqueles pontos? Porque assim não é a minha função, né? Eu não sou uma enfermeira, mas às vezes aquela gestante só contratou você, ela só tem você.

E ela não vai procurar uma ajuda médica, porque para ela não tem noção. Ela não sabe que aquele ponto está infeccionado, que aquela região está vermelha e quente, algo que ela precisa prestar atenção. Ela não sabe que que se ela trocar no oitavo dia do bebê porque ela está trocando uma, duas fraldas, aquele bebê está passando por ele, está desidratado, por exemplo.

Ela não sabe que se o bebê não fez pelo – cocô ao dia, é algo que a gente precisa se atentar para verificar se não tem alguma coisa de errado. Então a gente precisa dar essa olhadinha, tá? Eu dou uma olhada, oriento. Eu pergunto também sobre o sangramento vaginal, porque a gente estuda sobre isso e vê que às vezes tal sangramento anormal tá um vermelho vivo.

O volume é grande de acordo com a idade do pós parto e às vezes você é a única pessoa que vai conversar com ela a respeito disso, porque todos os olhos estão para a criança. Então são pontos importantes a serem observados. Eu considero a visita no pós parto uma das mais importantes do meu atendimento, porque a mulher está muito frágil e cheia de medo, cheia de dores, acabou de nascer e nem sempre tem alguém olhando por ela.

Eu quero falar com vocês também um pouquinho sobre um dos meus maiores medos. Enquanto eu estava estudando em uma aula do curso, nós conversamos bastante sobre emergências médicas e essa aula eu me lembro que eu fiquei muito nervosa porque eu falei meu Deus, eu não vou ter capacidade para lidar isso acontecer. O que que eu posso fazer? Então assim a precisa.

De que forma eu posso me proteger, né? Ahn. Eu nunca vivi. E em todos os partos que eu atuei. Eu nunca enfrentei uma emergência obstétrica. O máximo que aconteceu foi um bebezinho, por exemplo, nascer um pouco cansado e aí precisar ir para UTI Neo. Mas assim ele nasceu bem, só estava cansadinho e aí precisava da ajuda de oxigênio e.

Foi para a UTI, ficou lá por 30 minutos e voltou tranquilo. E também aconteceu uma vez um bebezinho que nasceu. Ele nasceu, meio apático, demorou um pouquinho pra parar pra ganhar ali. Uma vivacidade aí preocupou a equipe, mas logo chorou e ficou tudo bem. Mas uma emergência assim eu não me recordo de presenciar mais assim a segurança, o que vale pra elas vale pra nós.

A segurança vem da informação. Então, além das aulas do curso, eu fui me aprofundar mais no assunto e em como eu poderia ajudar se algo acontecesse, né? E leia sobre gente lendo sobre e em relação à adoção lá. Entendam, nós não somos enfermeiras, nós não praticamos processos invasivos, então aqui a gente precisa de ajuda, a gente precisa de ajuda.

Se acontecer emergência e eu estiver sozinha com aquela gestante, eu vou ligar no zero. Não sei qual o telefone aí na sua cidade, mas eu preciso de uma orientação. Alguém que divida comigo aquela responsabilidade, porque embora eu não tenho medo de e não tenha medo de lidar, eu não posso atuar como uma profissional que não me formei pra ser, tá?

Outra coisa, se você está sozinha, só você está gestante, não fique em casa por um tempo demasiado longo. Por quê? Porque quanto mais perto do trabalho de daquele bebezinho nascer, mais risco você corre. Se você não tem o auxílio de uma enfermeira, aquele bebê não está a escuta intermitente, aquele bebê não está sendo monitorado e nós não sabemos qual é a real situação ali.

Então, assim eu fico em casa durante um período fico, mas depois eu me sinto mais confortável estando em ambiente hospitalar. Por quê? Porque eu avisei. Lembra que. A decisão fica a cargo da gestante, mas eu passei a informação. Então eu falo assim olha, se nós estivermos com uma enfermeira obstétrica aqui, a gente tem a opção de estar aqui na sua casa até você alcançar aí nove, dez de dilatação.

Dependendo do hospital, a gente pode sair até no expulsivo, se preciso for. A enfermeira consegue realizar o seu parto aqui, se acontecer, né? Agora, se não, se é uma escolha sua ter só eu diante de você, nós iremos para o hospital quando eu julgar que é o momento adequado. E aí eu vou observar os sinais, né gente? Como é que está a intensidade da contração?

Como está o ritmo daquelas contrações? Sim, como está o aspecto dessa mulher, porque tem um momento ali que hoje em silencia, hoje em surto. Então é importante também como estão os fluídos que aquela mulher está liberando. Se já está saindo um pouquinho de sangue, se ela já perdeu o tampão ou não, se a bolsa está íntegra ou não, porque se houve um rompimento de bolsa, por exemplo, é um hospital.

Se eu estou sozinha, eu vou pro hospital. Então o meu conselho é não tentem ser o que vocês não são, certo? Se informem, estejam seguras, mas a segurança primordial é a segurança daquela mãe e daquele bebê. Então estejam em ambiente hospitalar, não sejam ousadas demais porque não dá para brincar com a vida dos outros, certo? Nós precisamos ter responsabilidade com a nossa profissão e com a confiança que aquelas pessoas depositaram em nós, certo?

Uma das coisas também importantes toda vez que eu vou fazer a entrevista é como eu sou uma mulher cristã, querendo ou não, eu falo muito de Deus, eu fico aí, graças a Deus. Nossa, esse Ciro! Porque é natural pra mim, vem da minha vivência. Então eu sempre pergunto se a pessoa acredita em Deus ou não, Por que você sabe quem você vai atender?

Então, um dos preceitos básicos também para que você seja uma doula é você não ter preconceito em relação a religião. Mas se for um ponto que pega para você, por exemplo, para mim, eu não consigo entender se a pessoa não acreditar em Deus, por exemplo, ou se ela praticar uma religião que vai muito contra tudo o que eu acredito e reservo no direito de falar.

Não é óbvio que não expondo o motivo do não, porque eu acho que isso seria desrespeitoso e aí não afeta só aquela pessoa que está na sua frente, mas a todos a qual a boca dela alcançar. Lembre-se que você está começando na profissão e é importante que você alcance um público, né? Então assim, seja respeitoso e aí te reservo no direito de falar não comigo.

A confiança entre doula e gestante floresce, construindo um vínculo duradouro.

Eu não tenho problema nenhum em atuar independente da fé que aquela pessoa pratica. Eu falo olha, eu sou uma mulher cristã, isso é um problema para você e geralmente não é pra ninguém, pra ninguém. Aí eles falam, por exemplo Ah, eu sou uma mulher espírita, isso é um problema para você. E eu falo que não. Eu acolho, eu atendo o que importa para mim é mais um lance de energia, de conexão.

Mas assim, sejam respeitosos acima de tudo, tá? Da mesma forma que a sua religião importa, a religião dela também importa. Então, mesmo que você não vá atuar como doula, eu acredito que é bem importante não colocar o motivo. E aí se reserva no direito de não de não atender aquela pessoa e se for um limite rígido para você e aí de repente indicar um outro profissional que que consiga atende-lo.Tá, e aí a gente está quase finalizando.

Mas eu queria colocar aqui para vocês que todas as pessoas que eu atendo e que eu vejo que de repente, depois que eu falo os valores, eu não cobro valores exorbitantes em relação ao valor. Valor é algo muito pessoal da gente, porque eu não sei aonde vocês irão atuar, mas para mim eu comecei a fazer uma pesquisa de mercado para eu colocar o meu valor.

Eu fui pesquisando quando outras doulas cobram doulas com mais experiente que eu. E aí eu coloquei um valor abaixo porque eu não me considerava experiente o bastante para cobrar o mesmo valor de mercado. Isso é uma decisão pessoal, porque se você acha que você está super bem e você quer ter um valor competitivo, por que depois que você estuda pouquinho de comercial e eu já estudei também um pouquinho de comercial, isso é um tópico que importa.

Dependendo de como for, tem pessoas que acreditam que quanto mais barato ela colocar o valor, mais pessoas ela vai atender. E é um ledo engano, porque às vezes você vai contratar um serviço e aí você vê que aquele serviço, o valor está muito discrepante, está muito abaixo do que você acredita, do que você viu, a maioria cobrando e aí você perde a confiança naquele profissional e nem dá chance daquele profissional atuar, tá?

Então, quando pessoas pedem porque a primeira pergunta que eles fazem de cara é quanto você cobra? Aí eu falo legal, eu não tenho problema nenhum em te passar os meus valores, eu posso te falar agora, eu tenho um portfólio que eu consigo te enviar também. Mas uma das coisas mais importantes entre uma doula e uma doula ainda é a conexão.

Então eu gostaria de entender quais são as suas expectativas ou como vem sendo a sua gestação aí te falar um pouquinho sobre o meu trabalho e te passar os valores numa chamada de vídeo. Pode ser aí que a pessoa concorda. Eu acho legal a gente amar e a pessoa fala não. Aí eu envio um portfólio que eu tenho que já está lá um pouco do que eu faço e o valor que eu cobro.

Mas pra eu chegar no valor, o que eu fiz eu estava começando, né? Então eu fiz a pesquisa de mercado, coloquei o valor um pouco abaixo, mas eu não falava o valor. Logo de cara eu explicava que eu tinha um objetivo. Quando eu comecei essa profissão eu não o porquê, mas eu contratei o meu obstetra e mesmo assim eu passei por várias violências obstétricas.

Meu parto. E eu acredito em um propósito, eu não acredito em coincidências. Então eu creio que Deus sabendo do meu futuro e permitiu que eu pelo que eu passei, pra que eu pudesse no meu futuro doar com qualidade. Então eu tenho como missão ajudar o máximo o maior número de mulheres que eu puder ajudar. Então eu trabalho com valor um pouco abaixo do que as outras doulas cobram pra eu poder atingir o maior número de mulheres.

Então é isso que eu coloquei para mim e isso é verdade. Sejam verdadeiros. Mentira tem perna curta, não é legal, então isso é verdade. Mas assim, no começo eu coloquei um valor que estava muito abaixo do que eu estava oferecendo e eu só me liguei disso porque lembra da história que eu contei da minha gestante que tinha um problema de ansiedade.

Ela se sentiu tão grata e tão com o trabalho que eu prestei que ela me pagou um valor a mais. E aí ela falou assim o valor que você cobra não está condizente com serviço que você presta. Já pensou? Eu tive que ouvir isso de uma puérpera pra eu me de que o meu trabalho estava acima do valor que eu estava cobrando.

E aí eu aumentei um pouquinho o meu valor e isso eu já estava atuando por volta de um ano. E aí eu achei justo também aumentar um pouco. Eu ainda não cheguei no patamar de doulas que são muito conhecidas aqui na minha cidade, mas enfim, eu estou tranquila com o que eu estou oferecendo. Vou aumentando aos pouquinhos, de acordo com o serviço que eu estou oferecendo.

Mas isso é algo que eu queria deixar para vocês, porque o trabalho que a gente presta, ele pode fazer toda a diferença na vida dessa gestante, porque uma das funções mais importantes é um respaldo emocional. Você pode dar uma educação Perinatal maravilhosa sobre fases de trabalho, de parto, sobre o que vai acontecer com aquela mulher, sobre como respirar se ela não estiver tranquila, que se ela não estiver se sentindo acolhida e segura, ela coloca tudo a perder, mesmo que ela esteja com a equipe gestacional a apoiá-la neste momento.

E este papel é nosso e não de papel, tá? Então eu sempre falo para gestante, no momento da entrevista eu falo Olha, eu gostei muito de você, eu adoraria ser a sua doula, não sei se você irá me contratar ou não, mas caso eu tenha falado algo que me desabone e que você não queira me contratar, faça um favor a você.

Tenha uma doula, mesmo que não seja eu, porque ela vai fazer toda a diferença no seu trabalho de parto. E é assim que eu encerro as minhas entrevistas e tem dado muito certo, porque mesmo pessoas que de repente, ali na hora, por questões financeiras ou alguma outra questão, de repente me falou não. Às vezes acontece de me contratarem quando entram em trabalho de parto é assim olha, eu preciso de você aqui.

Agora, qual que é seu pique? Pelo amor de Deus, nós tivemos uma conexão. Eu vou dar um jeito. Não sei o que é, então eu acho que vale a pena a gente ser verdadeiro e querer o bem do outro, mesmo que isso não nos beneficie no momento. E para finalizarmos, eu queria abordar mais dois tópicos. Um deles é sobre o quanto essa profissão vem crescendo.

Quando eu estava estudando, eu tinha muito medo da concorrência e tinha medo de não ter espaço para mim no mercado. Mas quando você vai ver, muita gente não sabe o que é doula, não sabe o que uma doula faz, a diferença que ela tem a fazer. Então a gente tem muito campo para percorrer a gente, tem muitos lugares para chegar aqui na minha região.

Como eu falei, eu sou de São José dos Campos, mas eu atuo em todo o Vale do Paraíba, então eu atendo em Taubaté, atendo em Caçapava. Já tive várias lindas de Caraguá, mas que optaram por ter os seus bebezinhos aqui. E eu estou com uma gestante de Campos do Jordão que está para ganhar esse mês também. Então assim nós temos um grande a ser percorrido.

Muitas pessoas não conhecem ainda os benefícios da doulagem. Alguns hospitais do SUS, por exemplo, o Hospital de Jacareí, o São Francisco, já permite a entrada de doulas no SUS, então é algo inovador por aqui. Em São José dos Campos nós continuamos lutando por esse benefício. Ainda não, não conseguimos atingir, mas é uma luta de todas nós e eu acho esse campo vai crescer e um dia eu sonho em ver todos os hospitais com doulas inseridas dentro, como funcionárias, como uma profissional importante e necessária para cada parto, para que as mulheres possam ser protagonistas da própria história.

A confiança entre doula e gestante floresce, construindo um vínculo duradouro.

Esse é o meu sonho e o desejo para profissão. E eu creio, creio de verdade, que ele vai se concretizar. Eu estou aqui me alimentando melhor, eu estou me exercitando pra que eu possa atuar aí ao longo de muitos anos e espero encontra-las aí ao longo dessa jornada.

Agora eu queria falar um pouquinho com você que não é doula, não tem interesse em ser, mas que gostaria muito de ter uma doula para chamar de sua.

Se for aqui na região de São José dos Campos, de Taubaté, Caçapava, vai ser um imenso prazer conhecer. Eu vou deixar os meus contatos aqui nas minhas redes sociais, me sigam por lá. Eu sempre estou dando dicas, conversando. Vai ser um imenso prazer conversar com você e estar presente nesse momento tão importante da sua vida.

Se você não for como escolher uma doula, se dê a oportunidade de conversar com ela através de uma chamada de vídeo.

É óbvio que os valores que ela pratica são importantes, é óbvio, mas às a gente dá importância para coisas tão supérfluas. Porque pense assim o seu bebê vai nascer. Tudo o que ele conhece é o seu corpo, é a sua pele, é a sua voz. Então, o mais importante ele vai ter. Ele não se importa com a cor do carrinho, nem se o carrinho tem três rodas ou quatro, ele não se importa se ele tem um bichinho ou se ele vai dormir em um quarto com cama de automóvel.

Viu como a cama de princesa ele não se importa, mas a sua experiência de parto importa. Importa se ele vai conseguir ser amamentado na primeira hora de vida? Não importa se você vai conseguir ter as suas vontades respeitadas, se não vai ser colocado um colírio no olhinho dele desnecessariamente. Importa se ele não vai ser espetado e apertado sem necessidade.

É um momento que não é interessante pra ele. Isso importa porque a gente não vai poder voltar no tempo e reviver esse momento e dependendo de como for o seu parto, ficam traumas, ficam dores e aí o momento que você está ali conhecendo o amor da sua vida pode ser o momento traumático, uma memória que que você não goste de visitar.

Então assim, infelizmente aqui no Brasil a gente sabe que a obstetrícia tem um longo caminho a percorrer até a gente chegar no local onde ela deveria estar. Então a gente precisa se proteger com pessoas que a gente é a doula, ela é você. Quando você pode ser ela, estar num lugar para te ajudar, quando você está num momento de fragilidade e não pode te defender, então assim cria uma conexão com a sua doula, te reserve o direito de te falar não e de se os valores não estiverem de acordo com o que você pode pagar naquele momento, tente negociar.

De repente essa doula consegue abrir uma exceção para você dividir mais vezes ou trabalhar uma promoção, ou te dar até uma segunda opção pra não deixar de estar presente aí no seu momento de parto. Tá bom? Da minha parte, eu fico por aqui. Pra vocês que estão esperando um bebezinho, eu desejo que o seu parto seja um parto maravilhoso, respeitoso, que o seu bebê venha ao mundo com saúde, que você possa ter a sua doula, porque eu tenho certeza que você merece uma.

E para as novas doulas, que o seu caminho seja um caminho suave, que vocês possam ser acolhidas, respeitadas e para os momentos de luta, porque a gente sabe que eles virão. Que vocês possam enfrentar de cabeça erguida, com um sorriso no rosto, com firmeza, mas com gentileza. Fiquem todos com Deus e um grande beijo.

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